Qual a relação da rotina familiar com a construção do padrão alimentar da criança?

As crianças se espelham em muitas atitudes e comportamentos dos adultos, não sendo diferente quando o assunto é alimentação. Os pais, além de cuidarem para que o ambiente familiar seja sempre seguro e aconchegante, devem fazer todo o planejamento das refeições e dar o exemplo: não adianta querer que os filhos tenham uma alimentação saudável e variada se eles mesmos não se alimentam corretamente, não comem frutas e hortaliças e pior, consomem guloseimas na frente das crianças.

Lembrando que o consumo exagerado de açúcar e alimentos repletos de aditivos químicos na infância está associado a uma série de problemas sérios: diabetes, obesidade, hipertensão, insônia, anemia, ansiedade, hiperatividade, dificuldade de concentração, indisposição, apatia, irritação, autismo, diarréia, depressão, baixo rendimento escolar, imunidade baixa e disbiose.

Para as crianças com paladar mais seletivo, como é possível ensiná-las a experimentarem frutas, legumes e verduras?

Tornando cada refeição um momento de tranqüilidade, prazer e aprendizado e aproximando a criança dos alimentos, mesmo nas horas de brincadeira. Podemos trabalhar com várias estratégias, seguem algumas dicas:

  • Coloque seu filho para participar o máximo possível de todo o processo (compra/ escolha/ higienização/ armazenamento/ preparo de forma segura junto com você/ momento de montar a mesa e servir no prato). Quanto mais o alimento for familiar pra ele, mais se sentirá seguro para comê-lo. Se não for possível levá-lo às compras, pelo menos peça ajuda para guardar na geladeira ou fruteira e vá dizendo os nomes dos alimentos, perguntando as cores, comentando sobre as formas, tamanhos, características…
  • Na hora de montar os lanches e a lancheira, deixe a criança participar, faça dessa rotina uma atividade aguardada e divertida;
  • Selecione receitinhas de saladas (e outras que incluam frutas e verduras, como bolos, cookies, sopas) e deixe que os pequenos preparem junto com você;
  • Ofereça esses alimentos em formatos e texturas diferentes, vale também utilizar cortadores divertidos, forminhas e pratos decorados;
  • Atividades lúdicas também ajudam, como criar histórias envolvendo esses super alimentos;
  • O melhor caminho é o da orientação, e não da obrigação. A refeição deve ser um processo natural: não fique insistindo, fazendo chantagem, brigando ou enfatizando a recusa alimentar dele. Valorize o que ele comeu ao invés de focar só no que não comeu.

 

Para as crianças cujas famílias não têm bons hábitos alimentares, como você orienta os pais a desconstruir o padrão ruim e implementar um estilo mais saudável?

Mudanças de hábitos não ocorrem de um dia para o outro, é um processo contínuo. Algumas medidas que podem ser tomadas para melhorar a relação de todos com a comida:

ü Escolher pelo menos 1 horário para ter toda a família na mesa e comer sem pressa e sem distrações com TV ou celular;

ü Não rotular alimentos em bons ou ruins e sim em saudáveis (rotina) e não saudáveis (eventuais);

ü Não fazer da ida à lanchonete ou sorveteria um programão; troque por andar de bicicleta, assistir um bom filme, fazer um piquinique no parque e levar uma cesta com alimentos mais naturais;

ü Não compensar a ausência em casa por causa do trabalho com comida;

ü Reduzir os processados e preferir os naturais; cozinhar mais em casa e pedir menos deliverys;

ü Analisar sempre o rótulo, ver a lista de ingredientes e evitar aditivos como corantes, aromatizantes, conservantes e adoçantes;

Criar hábitos alimentares corretos é responsabilidade dos adultos!

 

O que não pode faltar na alimentação diária da criança? (sugestão de alimentos em todas as refeições).

Não podem faltar alimentos construtores (proteínas), energéticos (carboidratos) e reguladores (vitaminas e minerais).

Começando pelo café da manhã, sugiro os seguintes alimentos: pães (de preferência integrais por conterem mais fibras), bolos e cookies caseiros, tapioca, panqueca, granola, aveia, geléia sem açúcar, leite, vitaminas, queijos e frutas;

 

No almoço devemos oferecer verduras e legumes variados, uma fonte de proteína (intercalar entre ovos, carne bovina magra, frango e peixe), um ou mais carboidratos (arroz, milho ou algum tubérculo – batata, mandioca, inhame, cará), uma leguminosa (feijão, ervilha, lentilha ou grão de bico) e uma fruta de sobremesa.

 

Os lanches seguem mais ou menos o mesmo padrão do café da manhã, devem entrar frutas ou suco de fruta, castanhas, pães, patês caseiros, leite, iogurtes, vitaminas…

 

E no jantar repete-se o almoço ou uma sopa é muito bem-vinda!

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